Essa semana foi difícil. Aliás, tem sido difícil há muito tempo, mas nos últimos dias tudo parece ter se acumulado de uma forma que minha mente não conseguiu mais esconder.
Na semana passada, acompanhei minha mãe em uma cirurgia delicada, em um hospital que só trata pacientes com câncer. E ali, entre corredores silenciosos, olhares vazios e sorrisos forçados, eu me vi pequeno. Frágil. Incapaz de controlar as coisas mais importantes da vida. A saúde, o tempo, a dor.
Enquanto isso, aqui fora, a vida continua me cobrando. E como cobra.
Tenho dívidas por todos os lados. O aluguel atrasado é só mais uma das pedras no meu bolso já furado. Rodo como motorista de aplicativo à tarde e à noite, tentando fazer mágica com o pouco que ganho. E quanto mais corro, mais sinto que estou ficando sem forças. Estou exausto, física e mentalmente. O desgaste é diário. O medo, constante.
E o que mais dói… é que não posso falar sobre isso em casa.
Minha esposa — e eu não a culpo — diz que a vida dela é ainda mais difícil. Talvez seja. Mas o que eu gostaria é só de poder dizer que estou mal, sem ser comparado, julgado, medido. Queria ter alguém para dizer que hoje foi uma merda, sem ter que justificar, sem virar uma disputa de dores. Só ser ouvido. Só isso.
Mas não posso.
Então escondo tudo atrás de um sorriso. Atrás de uma piada. Atrás de um “tá tudo bem” que nunca está. E, por dentro, eu me afundo um pouco mais.
Hoje, pra completar, o celular dela quebrou. De novo. A terceira vez em um ano. Sempre da mesma forma, sempre pelo mesmo descuido, e eu já não tenho forças nem para me irritar. Só sinto aquele silêncio interno que vem quando você percebe que não tem mais controle nem sobre os pequenos detalhes da vida.
Não escrevo isso esperando que alguém resolva algo por mim. Eu escrevo porque talvez alguém, em algum lugar, esteja se sentindo exatamente assim agora. E talvez esse alguém também precise saber que não está sozinho.
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