Risos Tímidos, Silêncios Profundos


Risos tímidos ecoam entre a ansiedade e a fé de quem luta diariamente contra o invisível.

Essa frase me perseguiu pelos corredores do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde estive recentemente com minha mãe. Lá, vi rostos tentando sorrir, corpos resistindo, olhares perdidos — mas carregados de uma força que não se mede com palavras. Há uma dignidade silenciosa em quem enfrenta o câncer, uma mistura de coragem e medo que só entende quem está ali… vivendo.

Faz um tempo que não posto aqui. Talvez porque a vida tenha me engolido em silêncio. Ou talvez porque eu mesmo tenha deixado de me ouvir. Um tanto de coisas aconteceram. Boas? Ruins? Nem sei mais separar.

Estou tentando focar mais em mim. Não por egoísmo, mas por instinto de sobrevivência. Cansei de terceirizar culpas. Sou o único responsável pela merda em que estou afundado. E isso dói. Mas talvez o começo de toda mudança real esteja na dor de encarar a verdade sem filtro, sem desculpa.

Ao mesmo tempo, tem algo que me prende. Como se eu estivesse tentando caminhar com correntes invisíveis nos pés. Não sei se é o passado, a culpa, ou só o medo de seguir sozinho. Mas sinto que estou fixado num ponto — preso — e toda vez que tento avançar, algo me puxa de volta com força.

Não escrevo aqui buscando piedade ou conselhos. Escrevo porque talvez, em meio a tantas vozes perdidas, exista alguém que também se sente assim: empacado, cansado, cheio de amor e raiva ao mesmo tempo. Alguém que, mesmo desacreditado, continua tentando.

E se esse for você… estamos no mesmo corredor. Cada um com sua dor, cada um com sua luta. Mas ainda aqui. Respirando. Escrevendo. Resistindo.

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